8 cidades brasileiras despontam em modelo econômico criativo

A Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) foi criada em 2004 para promover a cooperação entre cidades que identificam a criatividade como fator estratégico para o desenvolvimento urbano sustentável.

Atualmente, a rede é formada por 180 membros, de 72 países, dos cinco continentes, que abrangem sete áreas: artesanato e arte folclórica; design, cinema, gastronomia, literatura, música e artes da mídia. A seleção de novos membros é feita a cada dois anos.

O Brasil tem oito cidades participantes: Belém (PA), Florianópolis (SC) e Paraty (RJ) por gastronomia; Curitiba (PR) e Brasília (DF) por design; Salvador (BA) por música; Santos (SP) por cinema; e João Pessoa (PB) por artesanato e arte folclórica.

Como compromisso, as cidades criativas eleitas em cada setor estabelecem princípios de cooperação e de troca de boas práticas inovadoras, que fortalecem a participação de suas comunidades regionais na vida cultural e educacional do município, além da criação de políticas públicas.

Belém (PA) – Gastronomia

A cidade de Belém conquistou o título da Unesco ao final de 2015. De acordo com o portal da prefeitura local, “a culinária do Pará é certamente a mais criativa do Brasil”. O caráter nativo-brasileiro e um pouco da influência de colonos europeus, com ingredientes da fauna e da flora amazônica, constituem a base da gastronomia premiada.

“Nos últimos anos, o açaí, o tacará, o tucupi, o maniçoba, o pirarucu, os sons e os gostos do Pará atraíram o interesse de especialistas em gastronomia e admiradores de todo o mundo. Cozinheiros brasileiros e estrangeiros estão vindo a esta região procurando por inspiração. É devido à originalidade e às possibilidades de sua cozinha exótica que o Pará é um dos destinos gastronômicos mais promissores do mundo”, informa o portal.

Veja a página oficial. 

Pato no tucupi, prato típico de Belém

 

Florianópolis (SC) – Gastronomia

“Um título conquistado com muita história e por muitas mãos”, diz o slogan da página Floripa Creative City.  A capital catarinense foi a primeira escolhida no Brasil, em 2014, na categoria gastronomia.

Os “manezinhos da Ilha”, como carinhosamente são conhecidos os moradores da “Ilha da Magia”, se orgulham dos povos que passaram pela cidade e transformaram a sua cozinha em uma rica mistura de ingredientes, temperos, sabores e culturas.

Dentre as ações para fomentar a gastronomia criativa de Floripa, a prefeitura instituiu prêmios aos restaurantes locais, criou festivais e uma série de atividades como workshops, observatórios e núcleos de inovação em parceria com universidades e outras instituições da sociedade civil.

Tainha escalada, prato típico de Florianópolis

 

Paraty (RJ) – Gastronomia

A cidade do sul fluminense conquistou o título internacional de Cidade Criativa ao final de 2017 durante o Festival de Folia Gastronômica, que exibe ao público a cozinha tradicional e inovadora de Paraty por meio de palestras, degustações e treinamentos, além de envolver mais de 50 profissionais do ramo por edição – o chef Alex Atala e o agricultor Zé Ferreira, do Movimento Agroflorestal de Paraty, já participaram do evento.

De acordo com a Unesco, outra ação que reconhece Paraty no hall da criatividade gastronômica foi ter sediado o Fórum sobre Desenvolvimento Local Integrado Sustentável no Programa de Gastronomia Sustentável da Agenda 21 (plano de ação da ONU em defesa do meio ambiente), que aprofundou a cooperação entre chefs de cozinha e agricultores orgânicos, incentivando a agroecologia. Veja o vídeo abaixo para saber mais:

Além do camarão marinheiro (foto abaixo), outro prato típico é a farofa de feijão, alimento dos tropeiros que percorriam o Caminho do Ouro para vender animais.

Camarão marinheiro, prato típico de Paraty

 

Curitiba (PR) – Design

Curitiba é uma das cinco cidades da América Latina eleita na categoria design – Brasília (DF), Cidade do México, Puebla (MEX) e Buenos Aires (ARG) são as outras da região.

Apesar de ser uma referência mundial na área, com monumentos icônicos como os painéis de Poty Lazarotto, o Bosque de Portugal e o Jardim Botânico, o município tem deixado a desejar nas ações de cooperação desde 2014, quando ingressou à Rede de Cidades Criativas da Unesco.

De acordo com o jornal Gazeta do Povo, em reportagem de junho de 2017, a capital paranaense não tem respeitado os compromissos firmados que a colocam na condição de Cidade Criativa, tais como a integração com as outras cidades criativas do design ou ainda a realização de eventos e atividades práticas com a população.

Especialistas das organizações que fizeram campanha para Curitiba ganhar tal status atribuem a morosidade das ações criativas à troca de comando na Prefeitura Municipal, ocorrida em janeiro do ano passado.

Monumento à Boca Maldita, do artista plástico Elvo Benito Damo, no centro de Curitiba

 

Brasília (DF) – Design 

Diferentemente de Curitiba, a capital federal é uma das caçulas brasileiras, também no campo do design, eleita para o seleto grupo ao final de 2017.

“O design está presente desde a criação de Brasilia, seja nos traços de Oscar Niemeyer, na arte de Athos Bulcão, e de tantos outros artistas que surgiram na nossa capital”, destacou Jaime Recena, secretário de Turismo do Distrito Federal, ao jornal Correio Braziliense.

Confira o vídeo abaixo produzido pelo fotógrafo Breno Fortes, que mostra uma vista aérea de obras icônicas: o Estádio Mané Garrincha, a Capela de São Francisco e o próprio desenho do Plano Piloto, elaborado pelo urbanista Lúcio Costa.

 

Salvador (BA) – Música

Ao final de 2015, a cidade de Salvador, na Bahia, entrou para o seleto grupo das cidades criativas,sendo a primeira e, até então, única representante brasileira na categoria música.

“Falando da música, os desafios que se impõem são inúmeros. Primeiro, entender o impacto da cadeia da música na economia local; segundo, entender e direcionar como o governo local vai estimular o fortalecimento dessa cadeia e, terceiro, como a prefeitura se compromete com a interação entre a cultura e a educação”, afirmou Patrícia Braz, diretora da Unesco no Brasil, durante a cerimônia oficial, que ocorreu apenas em 1º de junho de 2016.

No evento, nomes consagrados da música baiana marcaram presenaça, como Daniela Mercury, Margareth Menezes, Ricardo Chaves e Paulinho Boca de Cantor.

Grupo baiano Olodum na Ladeira do Pelourinho

 

Santos (SP) – Cinema

Em 2015, Santos passou a figurar na Rede de Cidades Criativas da Unesco na categoria cinema. Até hoje, o município é o único de todas as Américas reconhecido pela excelência em atividades do audiovisual, ao lado de cidades como Roma (Itália), Sydney (Austrália) e Busan (Coreia do Sul).

E a cidade paulista faz valer seu título. De acordo com reportagem do jornal A Tribuna, somente de janeiro a maio de 2018 foram 23 produções audiovisuais gravadas por lá. Invariavelmente, as gravações envolvem profissionais técnicos e figurantes de Santos e região.

Os números são ainda mais alentadores quando a Santos Film Comission foi criada em 2005. Ao menos 425 produções foram rodadas na cidade nos últimos 13 anos, entre filmes, séries, comerciais e demais produtos.

O filme Querô (2007), de Carlos Cortez e baseado na obra do dramaturgo santista Plínio Marcos, é um dos mais icônicos rodados na cidade, pelo qual é possível reconhecer famosas locações, como o Porto de Santos.

Cena do filme “De Menor”, gravado em frente ao Aquário Municipal de Santos

 

João Pessoa (PB) – Artesanato e Arte Folclórica 

A capital da Paraíba é a única representante brasileira na categoria Artesanato e Arte Folclórica.

Eleita ao final de 2017, João Pessoa se comprometeu em criar um Laboratório de Inovação e Design para o artesanato e a realizar um Festival Internacional de Artesanato, que envolva a participação de artesãos e artistas de outros municípios da Rede de Cidades Criativas de sua categoria, como Santa Fé (EUA), Lubumbashi (República Democrática do Congo) e Cairo (Egito).

Feira de Artesanato Cidade Solidária/ Foto: Dayse Euzebio

 

Por Enio Lourenço
Com informações da EBC, O Globo, G1, Gazeta do Povo, Correio Braziliense e A Tribuna

 

 

 

 

 

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