Artistas de rua opinam sobre novo sistema de pagamento digital

Os artistas de rua são uma realidade das grandes metrópoles do mundo e uma frente significativa da economia criativa.

Recentemente, Londres ganhou uma plataforma de pagamentos digital, pela qual os transeuntes podem apoiar os buskers – como são conhecidos os artistas de rua na Inglaterra  a partir de uma simples transferência digital.

O prefeito Sadiq Khan firmou parceria com a empresa sueca iZettle e com uma associação cultural local para lançar o novo sistema de pagamentos por aproximação (contactless) exclusivo para esses artistas.

Eles estipulam um valor e o espectador encosta o smartphone, o smartwatch ou um cartão de crédito habilitado no aparelho (foto acima) para apoiar o trabalho cultural.

“Pessoas que nunca se ofereceriam para contribuir se sentem estimuladas e, muitas vezes, quando uma o faz é seguida por várias outras”, disse a música Charlotte Campbell em entrevista à BBC.

No Brasil

A reportagem de As Coisas Mais Criativas do Mundo foi até a Avenida Paulista (SP), um dos celeiros dos artistas de rua no Brasil, para constatar como funcionam os atuais modelos de colaboração pela apresentação ou venda de trabalhos artísticos, e ouvir o que os trabalhadores da cultura pensam sobre novas formas de pagamento.

“Sou mágico há 11 anos, profissional há três anos. Na rua, estou há três meses. Financeiramente existe uma diferença em trabalhar na rua. Os eventos particulares pagam melhor. Uma diária chega a dar 300% a mais do que você ganha na rua. Na Avenida Paulista, chega a dar uns R$ 250 por dia [domingo]”, conta o mágico Guilherme Gomieri.

Já o artista plástico Bento Art, que faz quadros e esculturas de super-heróis e de personagens da cultura pop usando ferro, cobre e alumínio, contou que consegue ganhar até R$ 600, mas também há dias que não vende uma peça sequer.

“98% das vendas que eu faço é [concretizada] no cartão. Essa máquina que eu uso demora para liberar o pagamento, de duas semanas a um mês. Em breve, a taxa [de manutenção do aparelho] vai aumentar e vai ficar complicado”, reclama.

Ele ainda relembra que o momento econômico do Brasil não é dos melhores para a sua categoria. “Se a pessoa não tem dinheiro, ela não vai comprar [obras de arte]. Simples assim”, frisa Bento.

Sobre a plataforma de pagamentos digital de Londres, o mágico Gomieri mostrou certa ressalva e avaliou o modelo como distante da realidade brasileira.

“Eu não sei até que ponto seria praticável aqui, porque tem gente que fica meio receosa mesmo se eu tirar uma maquininha aqui. É uma ótima ideia que facilitaria muito a vida dos artistas de rua. Mas esse processo de implementação, eu não sei como funcionaria”, diz.

Confira a reportagem completa em vídeo:

Por Enio Lourenço

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