Bienal do Livro debate formas de mediação do conhecimento

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorre no Pavilhão do Anhembi até o dia 12 de agosto, completa 50 anos e convida o público a “fazer download do conhecimento”. A ideia é fortalecer o livro como principal fonte de informação e conhecimento, capaz de mediar debates em meio ao turbilhão de estímulos e canais de conteúdo na internet.

A reportagem de As Coisas Mais Criativas do Mundo esteve presente no evento, no dia 4 de agosto, e conversou com o público amante das letras sobre o poder dos livros na era digital.

“Eu acho que o livro ainda é uma fonte enorme de conhecimento e de assuntos para discussões e debates. O objeto livro nunca vai cair em desuso tanto quanto a palavra, porque a gente vive disso e é nosso meio de comunicação. Não tem como desaparecer do dia para a noite”, comentou a booktuber Juliana Cirqueira, do canal Nuvem Literária, que tem 139 mil inscritos no Youtube.

Já Vinicius Godoi, mestrando em linguística na Unesp-Assis, após sair de uma palestra conduzida pelo ator e escritor Lázaro Ramos, manifestou um posicionamento crítico quanto à organização do evento e o mercado editorial.

“Eu não estou vendo tanta representatividade na Bienal e nos stands das editoras. Não se faz propaganda de literatura negra como se faz das outras”, disse.

“A literatura, quando ela te traz alguma coisa que você já tem, não é interessante. Ela precisa te trazer outro discurso”, diz o mestrando Vinicius Godoi

 

O rapaz, de 22 anos, porém, destacou a internet como um instrumento mais democrático para autores publicarem suas obras, quando não conseguem furar a barreira das editoras convencionais.

“O livro tem uma limitação de público, não é todo mundo que consegue publicar, mesmo hoje em dia com tantas facilidades. E a internet está aí para todo mundo publicar. Como o Lázaro Ramos falou em sua palestra, isso abre oportunidade para novos discursos, para novas narrativas”, explicou.

A viagem criativa dos livros

“A literatura, quando ela te traz alguma coisa que você já tem, não é interessante. Ela precisa te trazer outro discurso. E foi assim que ela mudou a minha vida, mostrando tudo que eu não tinha, que no caso é tudo isso aqui [a Bienal do Livro]”, concebeu Vinicius, que teve sua primeira experiência no evento em 2012.

“Você pega um livro e a sua mente se abre”, diz a professora Mara Rúbia

 

A professora de ensino infantil Mara Rúbia, de Cândido Mota (SP), participou pela primeira vez da Bienal e disse ter “adorado”. Ela, que carregava uma mala cheia de livros, acredita na força dos títulos impressos devido aos apaixonados por literatura, que gostam do contato com o papel, do cheiro de uma nova impressão, da experiência física.

“Através da literatura você viaja com a palavra do outro, a escrita do outro. Muitas vezes você está tão desestimulado, sem inspiração, mas você pega um livro e a sua mente se abre”, conta.

Por fim, a booktuber Juliana Cirqueira, que lê em média de seis a sete livros por mês, explicou como a literatura estimula sua criatividade.

“Toda vez que entro numa leitura, eu embarco completamente e esqueço onde estou. Eu acho que a literatura propicia toda essa nossa imaginação, o ambiente onde você possa ser mais criativo, imaginativo, onde você possa ter mais ideias, outros pontos de vista, outras perspectivas. Então a leitura acaba sempre me deixando muito mais inspirada a ser mais criativa”, conclui.

Confira a reportagem em vídeo:

Por Enio Lourenço
Vídeo: Mateo Monteiro

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