Criativo ou tocador?

Eu vim de uma família com um pai muito criativo, muito. Visionário, ele me ensinou duas coisas que não me saem nunca da cabeça: “põe no papel” e “precisa achar um tocador”.

Cada vez que eu chegava com a ideia de um negócio, ele me dizia: “põe no papel”. De tanto colocar ideias no papel, eu me tornei jornalista, roteirista de filme, escritora. Para algum lugar aquela criatividade toda tinha de ir. Foi para o papel.

Pôr no papel não era o problema. O problema era achar o tocador desses projetos. Eu tinha um certo receio em ir atrás dessa figura. Talvez até um pouco de medo: “E se ele rouba minha ideia?”, pensava.

Eu sempre dei muito valor para a ideia, para o ser criativo, e nunca achei que o tocador fosse tão importante. Um simples executivo, não? Mais do que isso. O tocador, hoje eu sei, é fundamental. Principalmente quando é o tocador certo e de confiança.

Confesso que tenho um pouco de frustração de ter deixado escapar tantas ideias que eu julgava maravilhosas, simplesmente por ficar só no planos das ideias e não ir atrás do melhor tocador.

Para vocês terem uma dimensão, eu já quis até ser dona de sex shop de luxo, com aulas e palestras para mães e filhas frequentarem juntas – ideia muito boa por sinal, quem sabe alguma leitora se anima…

O problema é que não sou tocadora. Sou criativa. E hoje uso minha criatividade escrevendo e viajando pelo mundo atrás de ideias e novidades.

E é isso que vou fazer nessa coluna. Exercer minha criatividade.

Por Carmen Maia
Jornalista (com rodinhas nos pés).

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