Fernanda Montenegro emociona Flip com leitura dramática de HH

A sessão de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na noite de ontem (25/07), contou com a participação especial de Fernanda Montenegro, que fez a leitura dramática de alguns textos de Hilda Hilst.

A atriz, de 88 anos, abriu os trabalhos da 16ª edição do evento com a interpretação do segundo texto da obra intitulada Poemas aos Homens de Nossos Tempos.

Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa rapacidade
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.

Fernanda leu ainda outras obras com teor político, erótico, espiritual, cômico e feminino. Dentre os textos, destacam-se o poema Toma-me e um trecho de uma entrevista concedida ao jornal O Estado de S.Paulo em 1974, que posteriormente entrou no livro Fico besta quando me entendem.

Quero ser lida em profundidade e não como distração, porque não leio os outros para me distrair mas para compreender, para me comunicar. Não quero ser distraída. Penso que é a última coisa que se devia pedir a um escritor: novelinhas para ler no bonde, no carro, no avião“, leu Fernanda.

Ao final, ela foi aplaudida de pé reverenciou a grande homenageada: “Maravilhosa Hilda Hilst, inesgotável Hilda Hilst, amada Hilda Hilst!”.

 

Fernanda Montenegro durante sessão de abertura da 16ª edição da Flip

 

A mesa “Hilda, Fernanda e Jocy” ainda teve a participação da compositora Jocy de Oliveira. Antecedida por duas cantoras sopranos, que interpretaram sua composição Ouço vozes que se perdem nas veredas que encontrei (em referência às vozes de além-mundo que Hilda buscava capturar), Jocy discursou e, louvor à presença dos temas relacionados à morte nos escritos da escritora.

“Ainda muito jovem, conheci a poesia de Hilda. Sua obra poética e principalmente sua maneira íntima e subjetiva de lidar com o tema da morte como parte da vida. Especialmente em seus poemas Da Morte. Odes mínimas, que tem me acompanhado sempre”, disse.

E fechou da seguinte maneira: “São muitas as Hildas. Ela encarna um universo poético único e nos representa como mulheres. Nós, mulheres, somos todas Hilda”.

Confira uma edição dos melhores momentos:

Por Enio Lourenço
Com informações da Flip

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