Jovens expõem em fotografias seus olhares sobre o Jardim Gramacho

Às vezes, ver com os próprios olhos a realidade do outro não é o suficiente para entendê-la: a compreensão e a empatia legítimas requerem uma lente de aumento que coloque o observador na pele de determinada situação. Essa é a ideia do projeto Eyes of the Street, ou Olhares da Rua, que empodera os pontos de vista de crianças e jovens de comunidades carentes e agora chega ao Jardim Gramacho, no Rio.

O olhar dos jovens do Jardim Gramacho vai compor exposição em Londres

O olhar dos jovens do Jardim Gramacho vai compor exposição em Londres

O projeto, criado pela empreendedora social e antropóloga Giselle Barboza e por Daniel Meirinho, doutor em comunicação social e professor de fotografia na Universidade Federal do Rio Grande no Norte, disponibiliza meios para que a captura do olhar seja uma forma de melhorar a autoestima e projetar um futuro melhor.

Em 2016, ele foi empreendido nas comunidades de Santo Amaro e Arruda, na periferia do Recife (PE). Os moradores mais jovens receberam câmeras e fizeram oficinas de fotografia para produzir imagens que mostrem suas perspectivas de afeto e envolvimento com o lugar em que vivem.

Uma ação semelhante já foi realizada em Guiné-Bissau, na África. A vez, agora, é do Jardim Gramacho, que já foi o maior aterro sanitário da América Latina e hoje é local de moradia de cerca de mil famílias.

A juventude da comunidade será municiada de máquinas fotográficas e aulas sobre como usá-las para fazer retratos visuais da realidade da região com o olhar de quem está imerso nela. Durante duas semanas, em meio às dificuldades, as lentes das câmeras vão vasculhar sonhos e a esperança de conquistas.

Em 26 de abril, o Olhares da Rua lança, em sua página na internet, uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar a atividade no Jardim Gramacho. A produtora Mairarê, o Plastic Bank – organização que busca soluções para minimizar a quantidade de plástico nos oceanos – e a ONG local Riso (Resgate da Infância Social) participam da empreitada, cujo início está previsto para setembro deste ano.

As imagens produzidas vão compor uma exposição a ser realizada no Rio e em Londres. As câmeras fotográficas serão doadas à ONG Riso, para que o projeto ganhe continuidade. Afinal, os olhares estão sempre em mudança – e assim se espera que aconteça com a vida de quem enxerga além dos obstáculos.

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Por QSocial

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