Livro infantil de Malala expõe dor sem perder a ternura

Mahatma Gandhi já dizia que o amor é a força mais sutil do mundo. Assim, enquanto alguns empunham armas e bombas achando que essa é a única maneira de triunfar, há quem lance mão de um lápis para desenhar uma realidade mais justa. É o que acontece no primeiro livro infantil de Malala Yousafzai.

O livro infantil de Malala Yousafzai conta realidades duras de maneira sutil

O livro infantil de Malala Yousafzai conta realidades duras de maneira sutil

Claro que o instrumento de desenho usado ao longo das páginas de “Malala e Seu Lápis Mágico” (Cia das Letrinhas, 44 páginas, R$ 34,90) é a forma lúdica encontrada pela autora para suavizar, aos olhos infantis – suavizar é bem diferente de esconder –, os horrores por que passou em seus 20 anos de vida.

Pouca idade também, é bom que se diga, para muitas conquistas. Nascida no Paquistão a 12 de julho de 1997, Malala Yousafzai confrontou, em seu país natal, os talibãs que queriam proibir as meninas de ir à escola.

Aos 15 anos, sofreu um atentado: uma bala entrou no lado esquerdo de sua testa e chegou até o ombro, deixando-a entre a vida e a morte.

Foi muito pouco para silenciá-la. Mas a criançada não precisa ver cenas como essa com o sangue real que as banhou.

Em sua narrativa, Malala poupa os pequenos da violência que não a poupou, na linha do endurecer sem perder a ternura.

A ilustração – de autoria da dupla francesa Sébastien Cosset e Marie Pommepuy – no livro para o episódio em que tentaram calar a voz da ativista mostra a menina de costas, em um quarto escuro, vestindo um avental de hospital. Delicada, mas poderosa.

A metáfora do lápis mágico também foi construída a partir de um fato verídico: quando criança, Malala, a pessoa mais jovem do mundo a receber um Nobel – o da Paz, em 2014, quando ela tinha 17 anos –, sonhava em ter uma ferramenta dessas para mudar o mundo.

A arte do desenho requer, na verdade, persistência, dedicação, resiliência. Não é do dia para a noite que se conseguem imagens duradouras e marcantes.

O traço de Malala em sua trajetória de luta já atravessou um bom número de páginas, a despeito de quem tentou apagá-lo. Talvez o nome dessa mágica, com toda a sutileza que lhe cabe, seja mesmo amor.

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Por QSocial

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