Mediathon busca alternativas para frear fenômeno fake news

Nos dias 21 e 22 de abril, cerca de 50 pessoas — entre professores, jornalistas, designers, sociólogos e outros profissionais — estiveram imersas no Impact Hub, em São Paulo, para uma reflexão sobre a qualidade da informação disponível online. 

Mediathon Educação para a Informação

Com o propósito de oferecer alternativas no campo da comunicação ao público brasileiro, principalmente aos estudantes, o Mediathon: Educação para a Informação não esteve restrito apenas ao aspecto da proliferação das notícias falsas — as fake news –, mas também ao fenômeno da desinformação gerado pelo excesso de dados na rede.

Um consenso entre os participantes é que o conceito de fake news, muito utilizado no espectro do jornalismo político, é mutante e polissêmico, além de já apresentar um certo esvaziamento de sua ideia original — quando artifícios retóricos ou recortes de angulação conferem legitimidade a uma notícia falsa.

Mariana Ochs, Google Innovator e fundadora do MidiaMakers, responsável pela organização do mediathon que contou com a presença de representantes dos veículos de imprensa Nexo Jornal, BBC Brasil e Lupa Educação, explica a necessidade de promover esse evento.

“O MidiaMakers nasce da constatação de que a gente precisa colocar os professores em contato com saberes de outras áreas como design, jornalismo, criação audiovisual (…) para que eles possam ajudar a inserir os alunos no ambiente digital de forma um pouco mais mediada, com um pouco mais de senso crítico e conhecimento.”

A editora executiva do Nexo Jornal, Marina Menezes, salientou o modelo utilizado pelo seu veículo, que faz largo uso de infográficos de maneira fria, buscando não enviesar a interpretação do leitor.

“A gente parte do pressuposto de que os dados falam muito e, hoje em dia, esses dados são utilizados para manobrar a informação. Então você recorta a manchete que você quer usar, por exemplo, ou você usa o dado para apoiar sua história, mas na verdade o destaque não é para o dado. Falamos que fazemos jornalismo de dados, em que o dado realmente fala alguma coisa sobre tudo e não o que a gente vai destacar dele.”

Mirando a mudança de paradigma dos papéis dos educadores, que passam a atuar mais como facilitadores ao invés de instrutores, os participantes apresentaram propostas de ferramentas para se utilizar em sala de aula e incluir o tema no dia a dia dos estudantes.

Dentre elas: um questionário de checagem e avaliação de uma notícia, pelo qual os participantes recebem um feedback com pontuação de escala de confiabilidade; uma cartilha para a montagem de uma mini agência de checagem de fatos; e até um jogo com o objetivo de reconhecer elementos essenciais da notícia, desenvolver leitura crítica e também apuar a capacidade de reproduzir informações com clareza e objetividade.

“A tecnologia não deve ser banida das salas de aulas, mas sim incorporada para tornar os alunos protagonistas nos processos de aprendizado, dentro de experiências imersivas e multimídia”, ressaltou Ochs.

Em breve, todo o material criado pelos participantes do Mediathon: Educação para a Informação será disponibilizado gratuitamente com licença Creative Commons no site do MidiaMakers e de parceiros do evento, como Chicas Poderosas e Rede Brasileira de Criatividade.

Por Alexia Araujo e Rodrigo Bispo

Edição: Enio Lourenço

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