Muro do preconceito é derrubado em ato na avenida Paulista

Muros e cercas não dividem apenas lugares – separam também as pessoas. E muitas dessas divisórias nem são físicas, mas verbais, na forma de expressões que manifestam intolerância. Pois um ato simbólico, realizado em plena avenida Paulista, em São Paulo, se propôs a quebrar barreiras de discriminação e hostilidade, materializando palavras de preconceito e ódio em tijolos a ser destruídos.

A iniciativa da plataforma Makers Society, que realiza intervenções urbanas e cursos relacionados a elas, foi remover as pedras do caminho da igualdade social; assim, recebeu o nome de Quebre Esse Muro.

Racismo. Xenofobia. Bullying. Assédio. Machismo. Esses foram alguns dos termos escritos com caneta de ponta grossa preta em tijolos que, empilhados, formaram de fato um paredão em plena calçada da Paulista.

Nos blocos, também foram dados nomes a alguns bois – políticos que, de uma forma ou de outra, ajudam a propagar ideias preconceituosas.

Uma ação contra tanto preconceito

Uma ação contra tanto preconceito

Depois de erguida a barreira, a missão foi botá-la abaixo, na simbologia da busca por uma sociedade mais justa. Os tijolos, então, passaram a ser destruídos com marteladas por passantes que se viram impelidos a participar da experiência.

“A princípio, ficamos com medo de que as pessoas apenas olhassem e não fizessem nada”, afirma o publicitário Alexandre Diniz, de 28 anos, um dos organizadores do ato. “Mas elas interagiram de fato. Negros, por exemplo, já iam direto quebrar o racismo; homossexuais atacavam a homofobia. Deixamos também alguns tijolos em branco para que fossem escritos outros tipos de preconceito que quisessem destruir. Uma senhora escreveu ‘trabalho escravo’ para martelar. Quebrar esses pensamentos e ideias foi libertador, e pretendemos repetir a ação.”

A primeira derrubada desses conceitos, que durou toda uma tarde de sábado, há cerca de um mês, deixa-nos um recado claro para muitos e muitos dias: em relação a determinadas mazelas que tanto prejudicam o convívio entre as pessoas, não dá pra ficar em cima do muro – é preciso combatê-las com vigor.

Leia também: Viciados em celular recebem doações para voltar à vida real

Por QSocial

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *