TCC: documentário tira mulheres paratletas do anonimato

Dê um rolê pelos noticiários de esportes. Entre os assuntos mais comentados, você encontrará temas como Copa de 2018 na Rússia, Corinthians e Grêmio campeões. Futebol, futebol, futebol e futebol masculino, porque o feminino fica à margem na mídia. E, se as mulheres em geral já carecem de visibilidade na cobertura esportiva, imagine o espaço dedicado às atletas paraolímpicas brasileiras. De olho nesse desequilíbrio midiático, cinco alunas do curso de jornalismo da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) produziram, como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), um webdocumentário sobre quatro paratletas paranaenses chamado “Além das Linhas”.

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O projeto surgiu justamente a partir da constatação do pouco destaque dado a essas esportistas, o que ficou ainda mais claro para as estudantes durante as Olimpíadas e as Paralimpíadas de 2016.

“Analisamos um portal local, comparando as notícias das Olimpíadas e das Paralimpíadas, e notamos que o espaço era desigual, sendo que nenhuma das matérias tratava diretamente de mulheres paratletas”, diz Brenda Iung, uma das autoras do TCC.

Em seguida, elas realizaram uma pesquisa digital de respostas abertas para verificar a percepção das pessoas sobre o espaço destinado a paratletas na mídia.

“Constatamos que os espectadores também sentem que ele é pequeno”, afirma Brenda.

Ao partir para a execução do TCC, resolveram focar o “Além das Linhas” dessas esportistas – treinamentos, dificuldades, desafios.

Além de representarem a confluência dos universos feminino e paralímpico, as paratletas simbolizaram também o cenário esportivo do Paraná.

“Nossa ideia era dar visibilidade para atletas locais, pois elas não têm muito espaço nos veículos daqui”, conta Brenda.

Assim, as escolhidas para protagonizar o documentário foram as paranaenses Carmen Silva Santos (Xuxa), do atletismo; Josiane Maria Poleski (Josi), do futsal de surdas; Tisbe Souza Andrade Silva (Tisbe), da natação; e Mari Christina Santili (Mari), da paracanoagem. Todas moram e treinam na região metropolitana de Curitiba.

Josiane Maria Poleski (Josi), do futsal de surdas

Um crowdfunding e também iniciativas individuais – como a rifa de uma camiseta assinada pela Seleção Brasileira de Surdas – ajudaram a financiar o projeto.

As agora formadas receberam um prêmio da faculdade pelo trabalho – terceiro lugar na categoria Produto jornalístico livre. Pretendem, agora, transformá-lo em um documentário que seja exibido em circuito ou festivais.

“Não conseguiremos viabilizar isso ainda neste ano porque o tempo disponível é curto”, afirma Brenda.

“Por enquanto, visto que se trata de um webdoc, temos os vídeos na plataforma, assim como textos, imagens e infográficos. A partir da adaptação desse material, faremos o documentário.”

Mais do que exemplos de superação, “Além das Linhas” mostra suas protagonistas como o que de fato são – atletas. Porque visibilidade não se conta apenas pelos minutos de exposição na mídia, mas também pelo tom que caracteriza essa exposição.

E o esporte, por si só, já as ajudou muito a se livrar de estigmas, como percebemos pelo discurso de Carmen Silva Santos, a Xuxa, que é negra e cadeirante, no filme:  “Eles não olhavam a pessoa, eles sempre olhavam a cadeira de rodas ou a cor”.

Por QSocial

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